Histórias de amor não precisam fazer sentido.
Se há um sentimento, não há necessariamente uma explicação.
Então, havia uma bailarina. E havia também um vaga lume.
A bailarina morava na caixinha de músicas da prateleira da estante. O vaga lume morava ao lado, por dentro da garrafa de vidro que o prendia naquele quarto.
Tão próximos quanto distantes, a bailarina e o vaga lume viam passar os dias.
Ela, de porcelana, girava sempre que davam corda à sua caixinha. Os bracinhos erguidos, as perninhas dobradas e o rostinho inclinado à esquerda – na direção daquele vidro, onde algo acendia cada vez que as luzes eram apagadas.
A bailarina dançava para ver o vaga lume brilhar. E ainda que ninguém reparasse, ela parecia sorrir quando a noite se erguia no céu. Porque era justamente no escuro, que os pequenos pontos luminosos se tornavam mais fascinantes.
Não havia lógica em seu raciocínio. Mas porcelanas não raciocinam.
Tudo que ela sabia, era que pouco a pouco, havia nascido uma dependência.
Um algo desconhecido.
O vaga lume preso naquela garrafa, e ela, sua prisioneira.
Talvez não se possa chamar sentimento, mas a ligação entre os dois era quase magnética.
Ele iluminava os passos da dança decorada.
Ela musicava os ritmos das piscadas atrapalhadas.
E a vida caminhava em frente.
Noite após noite. Até o dia em que a garrafa foi aberta.
E o vaga lume esteve livre.
Liberdade é ponto de vista. Não significa partir, mas apenas ter a chance de fazer, ou não, essa partida.
E o vaga lume não fez.
Permaneceu batendo no vidro, como se casualmente chamasse alguém para voar embora com ele.
Tudo que ele sabia, era que pouco a pouco, havia nascido uma dependência.
Um algo indecifrável.
A bailarina presa naquela caixinha de músicas, e o vaga lume, seu prisioneiro.
Não havia por que.
Ela girando à corda, vendo-o à sua espera, tentando entender; buscando achar um motivo que justificasse aquele peso em sua dança. A bailarina rogava ter asas também.
O som perdera a graciosidade.
Até que o escuro perdeu completamente a luz.
Sumiram os pontos que costumavam se acender.
O vaga lume se foi.
Naquela janela, acima da prateleira, atrás da mesma garrafa aberta, ele se foi.
Esperas de amor não duram para sempre.
O vaga lume voou piscando.
Como água que escorre entre as mãos. Como um balão ganhando o céu.
Mas a caixinha de músicas continuou tocando na escuridão.
E ao ser aberta, contou o final da história.
Porque onde supostamente haveria uma bailarina, havia somente o vazio.
E um par de sapatilhas, girando sem dona.
Respondendo comentários.
ResponderExcluirAdorei este conto, adorei. :)
ResponderExcluirEscreves bem, muito intimistas, e vais-me dar um trabalho imenso para encontrar a bailarina! :D
Vou adicionar-te na minha caixa de música.
Beijos
EU amei o conto...muito bom mesmo.
ResponderExcluirBjos
O conto gira em torno de uma poética história de amor. O amor torna os traços de forma distinta, quer seja à um cético, quer seja à alguém crente. O interessante diante o fato de amar é o fato como nos comportamos. Hora como o Vaga lume, hora como a bailarina. E as atitudes se moldam por algum motivo. Gostei muito do seu conto!
ResponderExcluir"O que eu faço?" - Eu no momento estou procurando emprego, estudo por conta, e sou escritor, mas ainda não tive nenhuma obra publicada.
"Aonde estão os meus maiores reflexos?" - Você encontra muito de mim na maneira como eu me comporto, no entanto me vê mais nitidamente na forma como eu escrevo. Não nos personagens, mas na forma com a qual cunho meus versos, e a prosa dos meus personagens.
Novas perguntas. -"O que você pensa a respeito de mim? -"E como você se descreveria?"
Abraço,
R.Vinicius
eu amei, parabéns.
ResponderExcluirtambém estou te seguindo :D'
beijo :*
Que conto lindo. *-------------------*
ResponderExcluirparece que foi feito pra mim, enfim. hauhhsauhs
"Esperas de amor não duram para sempre." E eu estou esperando o vaga lume que existe dentro de mim voar, procurar outras bailarinas (no caso bailarinos HUAHISUAH, mas não ficar tão dependente, a não ser que seja correspondido. Mas deixa pra lá, que essa história já é cansativa por si só UHSIUAH, e não cabe lamentações diante de um texto tão bonito ♥
que conto perfeito *-*
ResponderExcluirfoi você que escreveu? :D
se foi.. tu escreve muiito meu, adorei mesmo *-*
otimo fds :**
Oi...vim agradecer seu comentario, eu adorei...
ResponderExcluirVc é uma fofa...:)
Eu gosto muitoooo do seu blog, e tbm gosto kuando vejo comentario seu no meu blog.
Você sempre sera bem vinda, pode vim a hora ki kiser...
Bjoooss
Acho que isso quer dizer que você não está mais abusadinha né?? ^^
ResponderExcluirMuito belo, vc que escreveu? Parabéns!
ResponderExcluirFeliz Dia da Mulher pra vc!
Abraços,
Helen
ain, amei o post. >.<
ResponderExcluirtipo, achei meio diferente.
mas amo historias assim. :)
sim! voce recebeu um selo, tá?
passa lá no blog e vê.
:*
nossa, muito, muito lindo! Gostei muito!
ResponderExcluirAmo esse tipo de conto :D
Você definiu a Liberdade perfeitamente! Vejo o exemplo dos peixinhos: eles dependem do mar para viver e nem por isso deixam de ser livres!
ResponderExcluirTudo bem, é um conto, mas a história foi tão verdadeira... Esperas de amor não duram para sempre. Claro, uma hora a gente encontra o amor, ou acha que a espera deve ser outra coisa, que nem a gente sabe o que é.
Um beijo flor!
Que gracinha. Adoro histórias de amor, amores arrebatadores e bailarinas, afinal sou uma delas. :) Beijosss
ResponderExcluirNossaa moça queee textooo lindoooo
ResponderExcluir♥
ótimo conto,meus parabens!
ResponderExcluircomo pessoas romanticas que somos,esperamos ser correspondidas sempre,mas quando isso não pode ser feito por algum motivo,é triste,porém nescessário,dar um passo a diante e distante da dor.
beijosmil,Mah.
eei, voce recebeu um selo, tá? ^^
ResponderExcluirVelho, tu escreve muito
ResponderExcluirTocou a alma. (comentário profundo para um texto profundo)
Virei tua fã, e tua seguidora.
:*
Simplesmente amei!
ResponderExcluirPerfeita historia de amor!
Minha escritora perfeita! *-*
ResponderExcluirNossa
ResponderExcluirmuito legal
gostei muito
foi vc q fez??
ate mais
Querida, onde está você?
ResponderExcluirTudo bem?
Um beeijo!
Adoros contos ...
ResponderExcluirApesar de não ser tão romantica...
não adianta o ramontismo de certa forma toca
as pessoas ... ainda que elas não queiram admitir...
E de fato "esperas de amor não duram para sempre"
Rs*..
ótimo blog.. aliás, li ele quase todo
hoje .. Rs*
jah virei tua seguidora!
bjos.xD
lindinho o texto/conto..
ResponderExcluirparabens..
mas foi tu q elaborou ou é tirado d algum lugaR?
brigadaço pela visita no meu blog viow.
ta convidad
a voltar lá.
www.bagageirodocurioso.spaceblog.com.br
ótima kintaaaa
=]]