quarta-feira, 20 de maio de 2009

Algo que ficou, atrás de você.

As pessoas não sabem. Quase nunca observam, quase nunca reparam.
As pessoas não percebem como, aos poucos, vão pondo objetos em seu lugar.
Como se vão lentamente, deixando, atrás de si mesmas, algumas pequenas marcas.
Como um simples enfeite pode ocupar um significado tão imenso quanto o de ser a última lembrança de alguém que passou.
Porque às vezes, é inevitável nos perdermos das pessoas que amamos.
E mais inevitável ainda, é tentarmos trazê-las de volta.
Para isso, praticamente tudo torna-se válido, quase como se o impossível não fosse nada além do ‘nunca antes tentado’.
Então, abrimos as caixas onde havíamos guardado todas as nossas aventuras, todas as nossas fantasias e todas as loucuras – e encontramos as bobagens que nos trazem a chance de resgatar o que perdemos.
Quem poderia nos condenar?
É a tentativa de puxar para a superfície um sentimento que pouco a pouco vai afundando.
A vontade de recuperar o tempo que perdemos sem notar, enquanto alguém que estava ao nosso lado, se modificava para algo sem retorno.
Uma foto. Um ingresso. Um bilhete de todas as linhas preenchidas por infantilidades. Um adesivo. Um chaveiro das chaves que nunca usamos. Um recorte. Um presente. Uma pulseira. Um cartão. Uma frase boba escrita num guardanapo. Um botão. Um embrulho. Um convite da festa em que dançamos até o sol nos buscar. Uma concha. Um pingente. Uma fita. Um cd, uma música, um romance.
Cada coisa guarda um instante e, em alguns casos, instantes são eternidades.
Objetos que nos contam histórias inteiras.
Lembranças que, às vezes, são o que nos resta para ter certeza de que realmente aconteceu.

12 comentários:

  1. Respondendo comentários anteriores.

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  2. que liindo, amei. eu tenho uma caixa em q eu guardo todas as lembranças da minha vida...amo abrir e lembrar de tuudo!
    beijocas :*

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  3. É, eu guardo um monte de coisas também. Desde fotos até papel de bala, depende muito da lembrança. Esses objetos têm um certo poder de guardar, nem que seja só um pouquinho, do momento que estava lá, tão longe, e trazê-lo pra perto da gente de novo.
    ...Mas agora fico pensando. Guardar esses objetos é normal sim, mas o mais importante é o humano. Porque essas coisinhas só têm valor por causa da gente, porque esses momentos a gente carrega consigo sempre. E quando eu estou com meus amigos é mais fácil fazer memória de alguém que amamos, e que queremos do nosso lado para sempre.

    Lindo, como sempre, flor.
    Um beeijo!

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  4. Nossa, eu guardo muita coisa, muitas lembranças... a maioria você citou no texto. Guardo ingressos, fotos, bilhetes, recortes, frases jogadas, agendas com coisas que hoje me fazem rir... e é tão bom olhar pra tudo isso e lembrar de momentos que não voltam mais, mas que foram bons enquanto duraram. Nunca vou jogar fora minhas lembranças.

    bjuuuu! s2

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  5. Me foi dito, e também o digo .. que tentar apagar uma lembrança é perpétuá-la mil vezes. E seguimos sem notar que cada segundo dá lugar a um outro segundo, e assim as pessoas, as situações, os momentos, as lembranças. O importante principio de tudo .. é amarmos e aprendermos a sermos fortes.

    Abraço,

    R.Vinicius

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  6. Ahhh vou ser tua seguidora.
    Que texto singelo, adorei!
    Sei bem o que é isso, guardar objetos, lembranças e tudo mais.

    beijo lindona :**

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  7. Texto muito bacana!!
    muito bom o blog! rsrs
    beijo

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  8. ahh, vocÊ escreve tãao bem. amei!
    seu blog tá lindo!

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  9. Deu pra sentir a doçura que escorreu das suas letras.

    E meus olhos marejados, daqui.
    Um beijo moça. =*

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  10. Acabamos perdendo as pessoas e ficando apenas com o q restou... mas eu pergunto: seria um objeto melhor q memórias boas de alguem, como momentos de risos incansáveis? acredito q nao.

    talvez por isso eu nao guarde lembranças (objetos) dos lugares q fui, das pessoas q passaram pela minha vida... prefiro apenas lembra momentos sem precisar de algo q me faça lembrar..

    Oo
    ^^
    mas eu entendi teu ponto de vista


    www.thiagogaru.blogspot.com

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  11. É difícil não ver o que está atrás de nós, apesar dessa contradição.

    P.s.: Respondendo a tua pergunta, sim. É assim tão interessante, haha. Estudamos Sociologia no primeiro período, e que depois é meio que 'substituída' pela Antropologia. Eu tenho uma matéria que se chama 'Realidade Socio-Política e Econômica Regional', que é muito foda. Você é de onde?

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